"O pensar se manifesta na palavra; A Palavra se transforma em ato; o ato se desenvolve em hábito; e o hábito endurece como caráter." - Buda

"Nós somos as sondas por meio das quais a existência conhece a si mesma."
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O que é a Verdade?


O que é a verdade? 

*** Introdução. *** 

"O que é a Verdade?" é uma questão que tem sido feita por milênios. Como nós ordinariamente usamos, o adjetivo "verdadeiro" significa "uma afirmação que corresponde aos fatos". Mais precisamente, a palavra "verdade" denota a validade de uma correspondência destinada (ou esperada) entre uma representação e, o que ela representa. Há muitos ensaios interessantes que lidam com esta questão na internet. Em um texto por exemplo, um exemplo é dado de um mapa sendo "fiel a geografia", porque "as linhas do plano apresentam aproximadamente a mesma forma bidimensional de ruas". A pintura é dita ser "fiel a vida" , se mostra com precisão a qualquer espectador como algo realmente parece quando você o vê com seus olhos. Este ensaio também sugere que "a verdade envolve dois 'sistemas', supostamente ligados por um" mapeamento ". 

Mas aqui, eu quero descrever como eu entendo este conceito quando eu estou usando ele. O que é uma "verdade objetiva", que é uma questão mais difícil. Mas também direi algumas palavras sobre isso .. É bem possível que o leitor, ao ler o que se segue, terá a impressão de que, de vez em quando, eu estou me contradizendo, mas eu estou tomando tal perigo em conta, e eu estou tentando tomar medidas contra esses mal-entendidos. 

Quando eu escrevo "como eu entendo este conceito", isso não significa que é só sobre mim. Seria melhor escrever: "como * nós* entendemos este conceito". A questão é que a discussão entra no domínio da filosofia e, portanto, vai além da minha competência profissional Portanto tomei precauções, e eu discutimos isso e chegaram a um acordo com.. Laura. Então, o que estou escrevendo diz respeito a nós dois, não somente a mim. Mas eu estou tomando total responsabilidade pessoal para o que estou escrevendo. Por isso eu escrevi "como eu entendo este conceito." 

******** 

Estamos operando com um conjunto finito de conceitos, portanto, em nossas "definições" é difícil evitar "definir pelo o que está sendo definido". Isso nem sempre é um desastre. Sabemos da "teoria dos conjuntos" matemática que, às vezes, auto-referênciar leva a paradoxos (Um barbeiro que barbeia todos aqueles que não se depilam.  Este barbeiro barbeia-se ou não? Se ele raspa a si mesmo, então não é verdade que ele barbeia apenas aqueles que não se depilam. Se ele não barbeia a si mesmo, então também não é verdade que ele barbeia TODOs que não se depilam). 
Algoritmos recursivos, isto é, algoritmos com uma função que chama a si mesma funcionam muito bem (embora sejam lentos), mas eles nem sempre terminam. Se o nosso universo não é finito, então a recursividade, mesmo a que não termina, pode ainda "melhor e melhor" aproximar a "solução" . Aqui está outra armadilha. Eu escrevi "melhor" entre aspas, porque o que é melhor e o que não é depende da nossa escolha da função para estimar distância. Esta função pode mudar de passo a passo, e quando as coisas estão ficando complicadas, chegamos à "Problem Halt". (Halt = Parar) 


"O problema é determinar antecipadamente se um determinado programa ou algoritmo irá terminar ou correr para sempre. O problema da parada é o exemplo canônico de um problema comprovadamente insolúvel . Obviamente qualquer tentativa de responder à pergunta de realmente executar o algoritmo ou simulando cada etapa de sua execução só vai dar uma resposta se o algoritmo em consideração ponha termo, caso contrário, o algoritmo de tentar responder à pergunta vai correr para sempre. " 

Teremos uma situação semelhante com a minha definição da verdade. Pode ser de modo que não sabemos com antecedência (e não há algoritmo que nos permita saber com antecedência) se o nosso "algoritmo" de chegar à verdade irá encontrar o seu fim ou não. A única coisa que podemos fazer é deixá-lo executá-lo, esperar para ver. 

(O que escrevi acima será mais fácil de entender para aqueles que têm alguma experiência com programação. Os termos "auto-referência" e "recursão", então, "sintonizar" na freqüência correta, e pode melhorar possíveis objeções.) 

*** *** Definição 

Primeira definição, um resumo: A verdade é objetividade. 

Agora deixem-me desenvolver esta definição e torná-la mais precisa. 

Suponha que existe tal coisa como "o Universo". Se você rejeitar essa hipótese, então tudo o que eu vou escrever a seguir é inútil. Estou considerando essa possibilidade, estou levando isso em conta. Agora, "Nós" fazemos parte deste universo, mas apenas uma pequena parte. Nossa percepção do mundo, nossos conceitos, nosso vocabulário, nossa programação, tanto inatos quanto geneticamente condicionados, mas também o que é modificado ou construído de raiz por nossas interações com o que chamamos o "mundo externo", todas elas carregam a marca desta "pequenez" de nós vis a vis a grandeza do Universo. Eles estão estampados com as marcas do caos e da incerteza, da aleatoriedade, de toda a história do desenvolvimento da vida e da civilização. Nem sempre somos objetivos. Às vezes somos objetivos quando julgamos os outros, mas deixamos de ser objetivos quando se trata de julgar a nós mesmos. Em Mateus encontramos isso..: 

MATEUS 7:1-5 [...] "Por que vês tu o argueiro que está no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, e eis que, uma trave no teu olho? Hipócrita, primeiro que retire a trave do teu olho; e então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão. "' 

Às vezes, é o inverso. Vemos assim os nossos próprios problemas e falhas, mas fechamos os nossos olhos para as mentiras em torno de nós, temos problemas com a crença de que as pessoas, às vezes muito perto de nós, são capazes de mentir deliberadamente. Esta é a maneira como os adultos, por vezes, vêem os seus filhos ou seus cônjuges. Não há objetividade em tal percepção. 

Ambos os casos acontecem. Isto diz respeito não apenas as relações com nossos semelhantes, com a sociedade, mas também nossa percepção e nossa compreensão do mundo material, do mundo dos conceitos, do mundo do "conhecimento". 

Portanto, se aproximar da verdade envolve a descoberta de qualquer mecanismo que afeta negativamente a nossa objetividade, envolve a análise destes mecanismos, e procurar métodos para sua neutralização ou eliminação (eliminação nem sempre é possível, mas, nesses casos, a neutralização pode ajudar). 

Progredindo neste caminho de eliminar os mecanismos que estão distorcendo nossa objetividade, nós também somos capazes de definir, melhor e melhor, a própria noção de objetividade (aqui, novamente, temos um exemplo de uma recorrência). 

Nós também estamos sobrecarregados com o problema do antropomorfismo que podem distorcer nossa percepção do mundo. É necessário analisar este problema também. Ver "objetivamente" é ver o Universo da mesma forma que o Universo está vendo a si mesmo, isto é para ver em uma escala que vai além dos nossos interesses geneticamente determinados, as nossas experiências, nossa pequena dimensão no espaço e no tempo, e no espaço do "conhecimento". 

Será que este processo tem um fim? É convergente? 

Minha hipótese de trabalho, a partir de hoje, é a seguinte: esta é uma pergunta do mesmo tipo como a questão da Halt da máquina de Turing. Não podemos responder a esta pergunta, a não ser permitindo o processo "avançar". 

Alguém pode perguntar: como podemos subjetivamente decidir o que é objetivo e o que não é? Não temos aqui um paradoxo? 

Na verdade, temos um paradoxo. Mas um paradoxo paradoxal. Igualmente pode-se perguntar: como pode uma máquina que é mais pesada que o ar voar? Evidentemente, não é possível. No entanto, como sabemos, quando há uma vontade, há um caminho. Máquinas mais pesadas que o ar podem voar, e nós, sendo sempre, por necessidade, um tanto subjetivos, podemos trabalhar em remover o máximo dessa subjetividade quanto possível aproximarmos de uma abordagem mais objetiva. É como o famosoOuroboros - o dragão engolindo o rabo, um aparente paradoxo. Mas, ao mesmo tempo, como parece, este é o único método que funciona - dentro e fora. 

Então essa é a minha (nossa) compreensão da "verdade". Se há dúvidas - eu vou tentar resolvê-los. Mas este breve ensaio não seria completa se eu não fazer um comentário sobre o "sentido da vida." Aqui vou usar uma outra analogia do mundo da programação de computadores. Pelo jeito, parece-me que o desenvolvimento de programação de computadores, a ciência de algoritmos, a nossa experiência com máquinas de calcular programáveis, a teoria de codificação - todos eles abriram para nós novas perspectivas cognitivas. Hoje somos capazes de operar com novas, e como eu tendo a acreditar, mais importantes categorias cognitivas. Podemos ver o mundo de forma mais objetiva do que fizemos antes porque temos estes novos modelos cognitivos para "mapear" o nosso pensamento. 

Portanto: * sentido da vida * 

Minha hipótese aqui é mais arriscada, é apenas uma hipótese de trabalho. 

Nosso Universo é um sistema complexo. O grau de sua complexidade é bastante elevado. Neste complexo sistema, de algum modo ainda não compreendido, "programas" estão em funcionamento. Não há nenhuma razão para supor que esses programas estão livres de bugs. Assim, não está excluído que o Universo tem também "mecanismos de depuração". Consciência,inteligência, a própria vida em si, também podem ter - entre outras - tais funções. Portanto, o papel da inteligência pode ser este: descobrir esses bugs nos programas que rodam no Universo, e depurar o Universo. 

Portanto, eu estou indo além do puro "auto-replicação", como o sentido da vida (como no "Gene Egoísta" de Dawkins). Auto-replicação pode ser uma ferramenta, mas não o objetivo. O objetivo pode ser diferente:  depurar o Universo. O tempo necessário para isto pode ser bem longo. Além disso, o resultado positivo pode não ser garantido. Pode muito bem ser como com o Problem Halt: não há maneira de prever o resultado, o que resta é deixar a depuração de programas executados, para permitir auto-modificações. 

Se admitirmos essa hipótese, então a questão sobre o papel da inteligência e do sentido da vida assume novas cores. 

Alguém pode perguntar: mas o que podemos - como "pequenas" criaturas - realizar em grande escala do Universo? 

Uma pergunta interessante. Contudo, sabemos que, em sistemas complexos pequenas mudanças podem levar a inesperadas "transições de fase" globais. Não podemos excluir que algo como isso pode acontecer. Não podemos excluir que admitir tal hipótese pode mudar completamente a nossa perspectiva sobre o problema da responsabilidade da espécie humana - esta seria apenas uma conclusão lógica a partir de nossas premissas.

Como escrevi acima, esta é apenas a minha hipótese de trabalho, uma hipótese que eu estou usando em uma base diária. Parece-me interessante, cabe todo o conhecimento que eu tenho (física, matemática, filosofia, genética, biologia, psicologia). Mas se eu descobrir novos dados, então eu vou repensar minha hipótese novamente. Afinal de contas, a fim de depurar o Universo, primeiro precisamos para depurar a nós mesmos. E aqui estamos voltando, novamente, à questão da "verdade" e "objetividade".

De Arkadiusz Jadczyk.
Traduzido por Iron.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Arte de Educar




Educar: Desenvolver as faculdades físicas, morais e intelectuais de. Instruir. Domesticar, adestrar. Aclimar. (In Dicionário Prático Ilustrado, Lello & Irmão Editores, 1977).

                Como esta definição que tomamos emprestada do dicionário nos informa, educar possui características tanto de desenvolvimento pessoal quanto de adestramento e conformação a normas vigentes. Um conceito que engloba tanto os atos elementares de ensinar um infante a andar e falar, quanto o ato de ensinar as mais complexas e abstratas teorias na academia.
                Por um lado, o conceito nos informa tanto do ato de desenvolver as faculdades físicas, morais e intelectuais de um objeto (o aprendiz) quanto presume algumas características desejáveis de um bom educador: responsabilidade para com o aprendiz, paciência, pois educar demanda tempo por não ser um acontecimento instantâneo, amor, no sentido fraterno da palavra, de possuir empatia pelo próximo e importar-se com o progresso de seu aprendizado. Pode-se levar em consideração que como o fluxo do tempo é dinâmico, que um processo incluso no tempo necessariamente também é dinâmico, logo o ato de educar não é exceção. Educar então, se considerado ao longo do tempo, é um processo flexível e dinâmico, devendo possuir a capacidade de adaptação as constantes mudanças de objeto de aprendizado, as diferentes ênfases, capacidades e disposições de diferentes aprendizes.
                Para tal, além das características já mencionadas é necessário que o educador seja tão flexível quanto o próprio processo de educar.  O educador precisa se converter em aprendiz de tempos em tempos e habilmente retornar ao papel de educador quando necessário. O sábio mestre precisa ser o eterno aluno. A aquele que trilha este caminho, uma capacidade perpétua de vislumbre, e de se assombrar com o novo e com o universo são indispensáveis. Pois sem o motivador psicológico e afetivo deste espanto com o universo, a falta de estímulo logo levaria o educador a cair no rotineiro, tornando-se outro tipo de educador.
                Este outro modelo de educador não possui todas as qualidades antes mencionadas em quantidade suficiente, faltando-lhe, ou sendo em níveis baixos em particular, a conexão emocional com seus aprendizes.  Este educador pode então tentar exercer uma instrução distorcida, que mais parece adestramento, esperando que seus aprendizes aprendam pelo poder das repetições, do medo ou outras emoções negativas que impõe equivocadamente. Ao invés de trazer a perspectiva de um mundo novo, de novos horizontes em um assunto, de respostas ou questionamentos mais profundos quando possível este educador traz consigo dogmatismo, regras simplesmente por regras e repetição sem pensamento.

                A arte de educar então não apenas é um conjunto de características desejáveis, mas também uma força de vontade, ou predisposição dependendo da linha do autor, para continuar aberto à vida e suas experiências. Vemos que o educador que tenta adestrar, na realidade se fechou para o dinamismo da vida, procurando na rotina uma contenção e um conforto na conformidade. Em suma este texto tenta mostrar, que sendo parte chamado artístico, parte teoria acadêmica, parte refletindo a maneira que você encara e enxerga a vida, que ser educador não é fácil. Somados aos desafios internos, estão os constantes desafios externos que seus aprendizes lhe trazem, como situações inesperadas, resistências por parte do aprendiz, dificuldades de equipamento e instalações, o que novamente nos leva a necessidade de improviso e adaptação por parte do educador. Logo, podemos concluir que o educador que não é mais dinâmico, flexível e aberto, é o mesmo educador que não mais extrai tanto aprendizado das situações que a vida lhe oferece, e é o mesmo educador que não mais se conecta tanto assim com os alunos. Talvez ele tenha parado de se importar. O que no fim das contas pode se concluir, com certa poesia, é que este eterno aluno acabou de fugir da escola.