"O pensar se manifesta na palavra; A Palavra se transforma em ato; o ato se desenvolve em hábito; e o hábito endurece como caráter." - Buda

"Nós somos as sondas por meio das quais a existência conhece a si mesma."
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dieta Paleolítica... mais antiga do que você pensa.

Dieta.
Uma mera busca pela palavra no Google, retorna 135.000.000 resultados aproximadamente. Claramente, é algo que está a rondar a cabeça das pessoas... a preocupação com a barriga. Dieta da linhaça, Dieta dos pontos, Dieta da Proteína, Dieta dos Sete dias, dos três macacos mancos, da Lua cheia de Iggdrazil... haja informação!

E muitos destes links, destes livrinhos de jornaleiro, e livros não tão jornalerísticos assim, raramente concordam uns com os outros. Um diz que você tem de comer uma maçã a cada lua nova pra resetar seu metabolismo. Outro diz que você tem de comer mais carboidratos pra ter energia. Em outro lugar, carne vermelha demais engorda, gordura engorda, mas talvez emagreça. É o caos. E as pessoas se preocupam com a balança. Também pudera!

Segundo a Associação Médica Brasileira, 65 milhões de pessoas, 40% da população está com sobrepeso. E destes, 10 milhões são considerados obesos. Deixe esse número flutuar em sua cabeça por um instante. D.E.Z. Dez. Aquilo que você faz com as duas mãos abertas quando quer indicar que tem muito de alguma coisa. Agora só imagine que além das suas duas mãos tem uma multidão fazendo o mesmo. É isso aí. Todos esses dedinhos são pessoas obesas. É um problema sério.

Em estudos epidemiológicos, o diagnóstico da obesidade é feito a partir do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido pela divisão entre o peso (medido em quilogramas) e o quadrado da altura (medida em metros) (WHO, 2000). O excesso de peso é diagnosticado quando o IMC alcança valor igual ou superior a 25 kg/metro quadradado, enquanto que a obesidade é diagnosticada a partir do IMC de 30 kg/metro quadrado.
Porque as pessoas engordam? Será porque não nos mexemos o suficiente?
Normalmente a obesidade é estigmatizada como o resultado inevitável de uma vida sedentária. Logo, é comum que as pessoas obesas sofram certo preconceito.
Mas será que a falta de atividade é a única culpada, ou mesmo a principal culpada destes números inflados? (Piada não intencional).

Uma maneira de começar a responder a esta pergunta, é com outra pergunta, ignorando solenemente os ensinamentos de Seu Madruga de que “Somente os burros respondem uma pergunta com outra pergunta”, por uma boa causa.
Será que o que comemos não tem pelo menos parte da culpa? E se tem, o que deveríamos estar comendo?
Para responder esta pergunta, vamos viajar no tempo... para uma era inóspita, arcaica e demasiadamente branca. As raízes de nossa história enquanto Homo sapiens. Retornemos, por um breve momento, a era do gelo.

            A Atual era do gelo (sim você leu corretamente, atual, teus olhos não te iludem fiel leitor), que atende pelo simpático nome de Glaciação do Pleistoceno, começou 2.58 milhões de anos atrás e se extende até os dias de hoje.
Há um bocado de evidências arqueológicas que a forma humana atual desenvolveu-se durante este período, também chamado de Paleolítico, do grego “pedra antiga”.
Bom, óbvio que as pedras eram antigas nesta época, mas o que mais é tão antigo quanto e que é críticamente importante?

Nosso código genético. Nosso genoma, todo o conteúdo genético de nosso organismo, nosso molde, a planta de como se construir um ser humano. Ele basicamente é o mesmo desde estes tempos remotos. E nosso genoma dita nossa fisiologia, que pode ser entendida como a maneira que as reações biológicas ocorrem, o funcionamento das partes da máquina humana. Qualquer máquina para funcionar precisa de partes adequadas e funcionais, e cada parte tem suas necessidades. Se fosse um carro algumas partes tem de ter água fervente em seu interior, enquanto outras partes precisam estar absolutamente secas. 

Disto podemos concluir, por analogia, ó paciente leitor, que há necessidades diferentes para diferentes órgãos, e que o desrespeito a estas necessidades resulta naturalmente no mau funcionamento ou na perca total de função do órgão. E nem todos os órgãos podem dar-se ao luxo de trabalhar mal sem conseqüências mortais para o indivíduo que os carrega.

Enquanto um carro precisa de óleo e outras substâncias em suas partes para funcionar, nós precisamos de nutrientes. Nutrientes maiores em tamanho útil, este tamanho digamos que seja o utilizável por nosso organismo, os chamados macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras) e os micronutrientes. Entretanto existe uma variedade imensa de macro e micro nutrientes, e daí surge grande parte da confusão em termos do que comer para manter nossa máquina humana funcionando de maneira ótima. Você pode ingerir nutrientes inadequados, e a máquina humana, resistente e adaptativa continuará funcionando, mas em baixo rendimento. O que você prefere então, astuto leitor? Viver ou sobreviver? Andar ou Capengar?
Talvez, entendendo nossos ancestrais, podemos entender onde podemos melhorar em termos alimentares.
O que então, nossos ancestrais comiam, para suprir os órgãos com nutrientes adequados?

A resposta é diretamente ligada a como estes humanos se organizavam socialmente.

Fiquem ligados para a próxima parte, daqui a alguns dias.

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