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"Nós somos as sondas por meio das quais a existência conhece a si mesma."
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Uma dieta paleolítica para um corpo paleolítico! Dieta Paleolítica, Parte II


Nos idos tempos da era do gelo os humanos eram organizados em pequenas tribos de caçadores-coletores. Por alguns milhares de anos de nossa evolução, a dieta humana consistia de proteína de origem animal, também conhecida como carne para os menos bioquímicamente inclinados, sendo esta cozida ou não, alguns insetos (exótico não?), ovos, e frutos do mar. Os três últimos items da dieta eram sujeitos a disponibilidade, então basicamente era uma dieta primariamente carnívora.
Dynastes hercules, ou besouro Hércules. Um componente usual da dieta paleolítica. Ou talvez não.

Esta dieta era rica em gordura, e algumas estimativas põem o consumo em mais ou menos dez vezes o que consumimos atualmente. Esta gordura era rica em ácidos graxos saturados, monoinsaturados, Omega-3 e quantidades balenceadas de Omega-6 e quantidades abundantes de outros nutrientes solúveis em gordura. Ácidos graxos são as unidades que compõem as moléculas maiores de gordura, as macromoléculas de gordura.
E não, as gorduras não foram todas criadas iguais.
Fonte de gordura saturada. E de serotonina. E de prazer. 

Dependendo dos ácidos graxos que constituem a molécula de gordura, teremos diferentes reações fisiológicas do corpo quando esta gordura for processada. Alguns desses ácidos graxos são desejáveis... outros, nem tanto. 

Mas, basicamente esta era a dieta na era do gelo. No período Neo-Paleolítico, a idade da Pedra Lascada ou dos Flinstons, marcado pelo surgimento da agricultura, localizado temporalmente há dez mil anos atrás aproximadamente, começa a aumentar o consumo de plantas, nozes, sementes e quantidades limitadas de frutas selvagens, quando disponíveis. O consumo de gordura era considerado como um prêmio, e continua sendo um bem valiosíssimo, mesmo nas sociedades caçadoras coletoras atuais.
O consumo de plantas era escasso, pois sem os métodos atuais de preparo, a quantidade de “anti-nutrientes” tóxicos que as mesmas possuem sobrepuja seu valor nutricional. E mesmo com os métodos atuais, o que sobra é um alimento pobre em nutrientes.

Dos macronutrientes, o único que era consumido em quantidades limitadas é o grupo dos carboidratos. Tirando os vegetais verdes e frutas selvagens, que basicamente são representates dos carboidrados fibrosos, boa parte da energia para as atividades caçadorísticas vinha das proteínas e gorduras. O que é interessante nessa história é que dos três macronutrientes, carboidratos são os únicos que não são essenciais. Excetuando-se os carboidratos fibrosos, uma vez no corpo são “quebrados” em glicose, que é um combustível energético multi-uso. A glicose nada mais é que um tipo específico de açúcar. Por sinal, o açúcar que você ingere com seu café enquanto tolera esta leitura também tem o mesmo destino. Os carboidratos fibrosos passam basicamente indigestos ao longo de nosso trato digestivo e são excretados. Por vezes fazendo algum prejuízo ao longo do caminho, mas este é um papo pra outra hora.  A glicose pode também ser produzida no corpo a partir de gorduras ou de proteínas ingeridas na alimentação. Uma vez “quebrada”, a glicose vinda da alimentação eventualmente chega a corrente sanguínea, e se os níveis da mesma forem altos o suficiente, os níveis do hormônio Insulina aumentam para tentar reduzi-los para um nível normal. Isto é importante. Você precisa ter certa quantidade de glicose no seu sangue o tempo todo. Se tiver mais, ou menos, o corpo reage com hormônios específicos para cada uma das situações. A parte não tão divertida, é que níveis mais altos regulares de glicose no sangue estão associados com um risco 40% maior de morte por doença cardiovascular. E os níveis de glicose sanguínea estão diretamente ligados ao consumo de carboidratos na alimentação. Quanto mais você consome regularmente carboidratos, aquele pão branco, aquele macarrão aos quatro queijos, mais carboidratos seu corpo se “acostuma” a ter presente no sangue regularmente após a insulina tentar reduzi-los. Em outras palavras, quanto mais o seu quarto fica bagunçado ao longo do tempo, mais você tolera certo nível de bagunça mínima mesmo após arrumar o quarto. Apesar dos tecidos do corpo utilizarem prontamente a glicose, este não é o único combustível que elas podem utilizar. Há outro combustível, os corpos cetônicos, oriundos do metabolismo dos ácidos graxos.
Messi, um famoso autista. Diagnosticado com a Síndrome de Asperger com apenas 8 anos. A dieta Paleolítica era amplamente utilizada para tratar casos severos de epilepsia e autismo na virada do século por alguns médicos Europeus, com grande sucesso. Seu uso terapêutico está lentamente se tornando lugar-comum para o bem dos futuros autistas e epilépticos.
Os corpos cetônicos estão ganhando popularidade novamente como o combustível natural e próprio da maioria dos órgãos. Um estudo mostra que crianças epilépticas quando postas em dietas que induzem cetose, que não deve ser confundida com cetoacidose, (um estado patológico em que o corpo não consegue regular a produção de corpos cetônicos, levando a uma acidez generalizada dos tecidos) ,o número de convulsões que estas crianças sofrem diminui ou até mesmo para completamente.
Os corpos cetônicos são inclusive apontados como os mais eficientes para o metabolismo do coração, aumentando a eficiência dos batimentos.

            Além de sua importância energética, as gorduras saturadas vão ser um dos componentes dos axônios, que são os fios de alta tensão que levam as informações de um ou mais neurônios de seu cérebro para outros neurônios, às vezes em regiões muito distantes como a base sua medula espinhal. Localizada nas costas em uma região um tanto acima das nádegas para os menos anatomicamente inclinados, mas brasileiros o suficiente para entender.

Mas, e toda a história de que gorduras fazem mal ao coração? Se você andar comendo bacon e torresmo você certamente irá "empacotar" cedo!!! Ou não?
Assunto para ser discutido em breve, quando encerraremos nossa série sobre a dieta Paleolítica.

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